Os ideais e organização da USE (por Luiz Monteiro de Barros)

sa_1489329846_use_70anosA USE é um grande e consciente movimento de unificação direcional dos espíritas no Estado de São Paulo. Nasceu para a consecução de três grandes ideais, que passam a sintetizar o seu idealismo sadiamente cristão: a)- congraçamento sincero e desinteressado, pelo sentimento; b) – vigilância permanente e esforços ininterruptos para a divulgação da Doutrina codificada por Allan Kardec e para a manutenção de sua pureza; c) cooperação recíproca, intelectual, moral e econômica, para a realização, cada vez mais perfeita, dos angustiosos e prementes problemas relacionados com a assistência social, em todas as suas formas.

Esse o ideal, essa a meta a ser atingida pelo movimento de Unificação Espírita que obedece à sigla USE. A tarefa transcende ao comum e é de tal monta que jamais poderá ser realizada senão pela contribuição de todos os espíritas, pela adição harmônica, oportuna e bem dirigida de seus talentos individuais ou de grupos. Para tão alevantados propósitos se uniram os espíritas do Estado e se organizaram em Sociedade.

À proporção que o tempo passa e os obstáculos vão surgindo ou vão sendo vencidos, a USE modifica algo na sua organização íntima, sempre acompanhando as necessidades novas que surgem para a consecução do desideratum inicial, da meta a ser atingida.

No início, em suas primeiras gestões, o Conselho Deliberativo da entidade era composto de vinte elementos da Capital: doze por eleição direta do Congresso Espírita estadual e oito representando as quatro entidades inicialmente patrocinadoras do movimento (Federação, Liga, União Federativa e Sinagoga Espírita), sendo dois para uma dessas entidades. Esses vinte elementos dirigiam, da Capital, o movimento espírita em todo o Estado.

A seu tempo, essa organização  prestou relvantes serviços à causa espíritta. Mais tarde, porém, sentiu-se a necessidade imperiosa de levar todos os espíritas do Estado a assumir as responsabilidades, cada vez mais sérias, das deliberações gerais e de sua execução. Foi aí, então, que a USE modificou sua estrutura orgânica, e seu Conselho Deliberativo Estadual, órgão supremo do movimento, passou a compor-se de 32 membros, sendo um representante para cada uma das 12 regiões em que foi dividido o Estado, por ocasião do 3º Congresso Espírita Estadual; um representante para cada um dos 12 Distritos em que ficou dividida a Capital e mais os oito membros reprsentantes das entidades patrocinadoras iniciais. A esses membros juntam-se, sem direito a voto, os oito membros da Diretoria Executiva, a cujo presidente cabe a presidência, também, do Conselho Deliberativo. Recentemente foram criados mais dois Conselhos Regionais, elevando-se a 14 o número desses órgãos.

Eis aí representada toda a organização espírita estadual. Dessa organização magnífica decorreram vantagens incalculáveis para a boa e segura marcha do movimento espírita, como é fácil perceber. Quem delibera?  O Estado todo. Quem cumpre essas deliberações? Os  mesmos elementos que deliberaram. À Diretoria Executiva cabe, apenas, a tarefa de pôr em movimento o conjunto harmônico; na realidade, quem realiza e cumpre as determinações do Conselho são as organizações espíritas do interior e da Capital, agrupadas, respectivamente, nas Uniões Municipais e nos Conselhos Regionais no Interior, nas Uniões Distritais e Conselho Metropolitano, na Capital, entidades e grupamentos esses de onde saem os elementos que vêm compor o Conselho Deliberativo Estadual.

Trabalho nenhum da USE se faz sem deliberação por equipe; ninguém manda, ninguém impõe; decide-se e se trabalha em conjunto. O indivíduo coopera ativamente para a obra coletiva e só o trabalho do conjunto aparece. Na USE, não há possibilidade de qualquer pessoa alimentar seu personalismo ou sua índole discricionária: a parte acaba por desaparecer em benefício do todo. Com maior ou menor intensidade, todos nós temos esses defeitos do personalismo, da prepotência, do desejo de aparecer e de impor, mas a USE em todos os seus organismos constitutivos e direcionais, deliberando sempre por maioria, em equipes, tolhe os passos à nossa vaidade e nos obriga ao trabalho altruísta e anônimo.

Como se vê, o movimento de Unificação em São Paulo atingiu já um elevando nível de organização, profundamente democrático e perfeitamente cristão; e isso é a garantia máxima da sua vitória final, apesar de todos os tropeços, de todos os obstáculos e apesar, até mesmo, dos nossos defeitos pessoais.

É assim a USE. E que jamais deixe de assim ser. Dela já surgiram frutos excelentes: Congressos, Semanas Espíritas, Unificação Nacional, Instituto Espírita de Educação, maior interesse geral pela causa comum, normas e sugestões para a boa orientação doutrinária nos centros adesos e, por último, o Unificação, jornal destinado a apressar a consecução do idealismo contido, sinteticamente, nas três alíneas inicialmente referidas.

Isso que a USE já fez, é, porém, insignificante diante daquilo que a aguarda, frente àquilo que ela é capaz de fazer com a sua nova organização, e que fará realmente, pois o Alto abençoa esse esforço e esse movimento que de lá partiu e que tem lá o seu verdadeiro centro diretor.

A confraternização verdadeira, íntima, sincera, de todos os corações que permaneceram na USE se processará; ela saberá aperfeiçoar os meios de difusão da Doutrina e de mantê-la na sua pureza cristã-kardequiana; também dará ao mundo o mais positivo, extenso e esplendente exemplo de assistência social consciente e bem organizada. Para lá caminhamos. Tenhamos confiança nos desígnios dviinos, em Jesus, nos espíritos do bem e em nós próprios. Prossigamos sem nos deixar abater pelo desânimo ou pela indiferença. A caminhada será longa, mas o seu fim será glorioso, cheio de luz, porque amparado e abençoado pelo Divino Mestre.

(*) Extraído do jornal Unificação, nº 4, Julho de 1953. 

 

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