O lar e a sociedade (Por Cesar Perri)

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Na literatura espírita há clareza de que a família é a unidade básica da sociedade e exportadora de caracteres para a sociedade, que se deve ponderar sobre as relações entre educação e vivência no lar com as futuras atuações no movimento espírita e na sociedade em geral. Daí a afirmação de Emmanuel: “o lar é a melhor escola”1.

No convívio familiar é que se preparam administradores para os diversos níveis de atuação. Daí a oportunidade de considerações de O livro dos espíritos:

“Os laços sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam os laços sociais” 2.

Desde o lar, deve-se concientizar para a interação social em condições participativas no movimento espírita e nas atuações profissionais e sociais. As pessoas não podem ser unidades sociais, mantedoras do status quo, mas preparadas para atuarem como indivíduos que poderão modificar padrões culturais. Isto se inicia com a convivência salutar e o cultivo de valores ético-morais, que se expressam pelo respeito ao outro, como pessoa e como espírito, logicamente imortal e reencarnado. As bases para a ética na política estão muito relacionadas com os lares e os processos culturais e religiosos. A política e os políticos não devem ser genericamente arrolados como maus ou corruptos. Só a participação esclarecida é que renovará o quadro político. A alienação não traz contribuições e nem soluções. O aparecimento de escândalos é sinal de que eles vêm à tona e há de liberdade para tal. O aperfeiçoamento da democracia depende dos políticos e, basicamente, do povo. Que o povo tenha lares bem estruturados!

Nos processos eleitorais, os lares têm papel importante, mesmo porque os jovens de 16 anos já podem ser eleitores. Os candidatos devem ser selecionados pelas suas ações passadas e presentes, pelas suas propostas, incluindo linhas partidárias. Nesta análise, são válidos desde os aspectos da vivência familiar até a compatibilização ético-moral com projetos claros e atuais. Sobre isto, as “Leis morais” de O livro dos espíritos oferecem parâmetros significativos.

Para avaliação dos fatos políticos e até para a seleção de candidatos, o conhecimento espiritual e espírita é relevante e pode contribuir com os processos de escolha e de transformação. Em nota de rodapé, Allan Kardec já comentava a questão 930 de O livro dos espíritos:

“Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma nova ordem social fundada sobre a justiça e a solidariedade, e ele mesmo também será melhor” 2.

Essa análise se enquadra no apelo da ONU, efetivado durante o “Ano Internacional da Família”, em 1994, de “contribuir para construir a família, a menor democracia no coração da sociedade”

Esse programa da ONU é que motivou a USE-SP apresentar a proposta da Campanha “Viver em Família” ao Conselho Federativo Nacional da FEB, a qual foi aprovada em novembro de 1993, gerando várias publicações e ações sobre o tema.

Referências:

  1. Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. O consolador. Ed.FEB, questão 110.
  2. Kardec, Allan. O livro dos espíritos. Ed. FEB, questões 774 e 930.

(Síntese adaptada de textos do autor, extraídos de seus livros: A família, o espírito e o tempo. São Paulo: Ed. USE, 1994; Espiritismo e modernidade. Visão da sociedade, família, centro e movimento. São Paulo: Ed. USE, 1996).

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