Novas traduções das obras de Kardec rompem fronteiras pelo mundo

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Globalização da Doutrina Kardequiana nos cinco continentes acelera processo de transição planetária.

 

De caráter universal, as ideias espíritas são cada vez mais aceitas nas diferentes culturas, e isso se explica, porquanto  fazem parte da própria natureza humana, independentemente de origem, língua, raça ou ideologia política. Por isso mesmo, a sua mensagem libertadora, de fé raciocinada, encontra acolhida nas culturas mais díspares, na Guatemala ou Finlândia, Suécia ou Cuba. Mas o Espiritismo, como movimento organizado, ainda se limita a 44 países do globo, onde conta em boa parte com a dedicação de espíritas brasileiros radicados no Exterior.

Nessa expansão, outro aliado importante surge com vulto significativo — o livro espírita, traduzido ao idioma de cada país, que vem ganhando mercados na América espanhola, Estados Unidos, Canadá e em vários países europeus.

Em Portugal, terceiro maior país espírita do mundo e que foi sede (pela segunda vez) do Congresso Espírita Mundial encerrado em outubro passado, esse mercado cresce exponencialmente, com lançamentos da própria Federação Espírita Portuguesa (FEP) ou em parceria com editores brasileiros, como a reedição de Reencarnação no Brasil, de Hernani Guimarães Andrade.

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“Recebemos o suporte digital  desta obra, uma cortesia da Editora O Clarim, a quem agradecemos. E aqui o livro ganhou uma capa diferente, na versão portuguesa”, asseverou Vitor Féria, presidente da FEP, em entrevista à RIE.  

Cuba, com mais de 500 instituições registradas, é outro mercado atraente (apesar dos entraves de natureza política), além de Guatemala, Estados Unidos, Argentina, França, Colômbia e Espanha. “Na Polônia e Finlândia, o movimento espírita vem crescendo rápido, de forma surpreendente, graças a boas traduções das obras básicas na língua local”, assinala Charles Kempf, ex-secretário geral do Conselho Espírita Internacional (CEI), cargo agora ocupado por Edwin Bravo (Guatemala).

Segundo Kempf, a educação recebida no Colégio Yverdon, na Suíça, do mestre Pestalozzi, conferiu ao seu aluno Hippolyte Léon Denizard Rivail uma formação multicultural, adquirida na convivência com jovens de  diferentes línguas, religião e nacionalidade. “Isso permitiu a Allan Kardec dar às cinco obras da Codificação um caráter universal, facilitando sua aceitação em muitas culturas”, analisa o ex-secretário do CEI, que já viveu por quase dez anos no Brasil. 

Nesse aspecto, cabe ressaltar ainda uma vez o pioneirismo de Cairbar Schutel, que, há mais de 100 anos, mantinha correspondências com Léon Denis, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano, publicando artigos desses autores em O Clarim e depois também na Revista Internacional de Espiritismo. “Mais tarde, com o esvaziamento do movimento espírita europeu, o processo se inverteu, e a revista passou a incluir artigos em inglês e francês para atender leitores radicados na Europa”, sublinha Aparecido Belvedere, diretor da Casa Editora. “Atualmente, a revista  é bilíngue, e a tradução ao espanhol se restringe aos artigos de Octávio Caúmo Serrano, cuja versão é feita pelo próprio autor”, completa Belvedere.

Barreira linguística

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A barreira linguística, porém, ainda é o maior obstáculo à expansão da mensagem espírita, como se pôde ver no 8º Congresso Espírita Mundial, em que a maioria das palestras foi ministrada em português, ainda que com tradução simultânea ao francês, inglês e até o norueguês. “Para o Congresso de 2019, na cidade do México, os organizadores pretendem garantir que as palestras sejam retransmitidas também com as traduções, de modo a atingir uma quantidade ainda maior de pessoas pelo mundo”, observa Kempf. A estrutura de transmissões montada no Meo Arena permitiu que o evento fosse acompanhado ao vivo por milhares de internautas, e as palestras e pronunciamentos ainda são acessados na página da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal (www.adep.pt/cem).

A divulgação do livro espírita em nível internacional em várias línguas, com base em parceria entre o CEI e a Federação Espírita Brasileira, é um dos projetos ao qual a nova Comissão Executiva do CEI deve dar prosseguimento. Nesse sentido, muitos esforços já foram feitos, mas ainda faltam as versões para o árabe, em fase de revisão final, o mandarim e o hebraico. Com relação a este, já se tem  notícia de que O Livro dos Espíritos está sendo traduzido ao idioma por uma israelita nativa, assessorada por alguns brasileiros residentes em Tel Aviv.

“É um trabalho dificílimo, sob minha coordenação, e que deverá tomar mais alguns meses no processo de revisão”, informa o professor Severino Celestino da Silva, que participou do Congresso com os cerca de 90 integrantes da caravana Nos Passos do Mestre, organizada pela RW Turismo. “O objetivo dessa obra é apresentar Jesus para os judeus, porque para estes, lamentavelmente, Jesus é um ilustre desconhecido, desrespeitado e até não muito amado”, afirmou.

Severino, que já traduziu vários textos bíblicos diretamente do hebraico, acrescenta que o filme Nos Passos do Mestre, rodado numa das viagens realizadas ao Egito e Israel, já foi legendado para quatro idiomas, incluindo o Italiano, tradução feita por Regina Zanella. No Canadá, o filme terá legenda em Inglês; e nos outros países, em Esperanto.

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Charles Kempf, na abertura do 8º Congresso Espírita Mundial, em Lisboa, outubro de 2016.

Com respeito à tradução de O Livro dos Espíritos ao árabe, um confrade de Santos (SP), Haddad, enviou versão à USE, que se encarregou de encaminhar o trabalho à FEB e ao Conselho Espírita Internacional, nas mãos do secretário-geral Charles Kempf. O trabalho está agora em fase de revisão, a cargo de um libanês residente em Portugal. O trabalho editorial está adiantado e já é possível ver a arte-final do livro, disponível para downoload, no site www.lmsf.org.  

Para Charles Kempf, a tradução de O Livro dos Espíritos ao hebraico terá muitos leitores interessados, pois, como consta na Revue Spirite, à época da Codificação muitos israelitas da região de Mulhouse, Alsácia, já figuravam entre os primeiros adeptos da Doutrina. “O campo do Espiritismo é o mundo, independentemente de fronteiras, línguas, culturas, religiões, raças ou ideologia política. Cabe a cada um de nós trabalhar mais pela causa que abraçamos, bem como pela unificação do Movimento Espírita em nível mundial”, concluiu.  

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