Médiuns Iniciantes (por Rubens Toledo)

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Tenho sofrido muitas perseguições por parte de espíritos inimigos da Doutrina, mas, dizendo-lhes com sinceridade, as maiores dificuldades que enfrento para perseverar no serviço da mediunidade são aquelas oriundas de minhas próprias imperfeições. – Chico Xavier

(Em Mediunidade para Iniciantes, de Luiz Gonzaga Pinheiro, Editora EME).

No atendimento fraterno realizado em nossa casa, uma jovem confessou que lastimava muito ter que deixar de frequentar o Centro Espírita, porque essa era uma imposição dos pais, católicos. Mas sua maior preocupação era com a possível perda do “dom”, já que desejava continuar ajudando as pessoas. Garantiu que continuaria estudando em casa e gostaria que lhe fosse indicada uma leitura mais fácil do que aquela encontrada no Livro dos Médiuns.

Disse-lhe que não conhecia a modalidade de Ensino a Distância nos cursos de mediunidade e pedi que não deixasse de participar das atividades no Centro, principalmente as sessões públicas, em que é feito o estudo do Evangelho, acompanhado de passes e irradiações. Lembrei-lhe também que não invejasse os médiuns consagrados, porque poucos de nós estamos à altura de compartilhar o cálice amargo que eles tiveram de sorver. Alertei ainda à jovem que o “dom” manifestado desde a infância, longe de ser um prêmio, era um arado que a Providência Divina lhe colocara nas mãos, a fim de trabalhar mais no campo da caridade, em benefício de si mesma.

Como insistisse, fui à estante e localizei Mediunidade para Iniciantes, de Luiz Gonzaga Pinheiro. Dias depois, a moça retornou muito satisfeita, dizendo que a leitura lhe fizera muito bem. Pediu que lhe indicasse outra obra, do mesmo autor, e eu lhe dei Mediunidade: Tire suas Dúvidas. Não demorou muito, a jovem estava de volta aos cursos e às tarefas doutrinárias, agora acompanhada da mãe.

Eu quis saber a razão daquela mudança, e ela contou que sua genitora também já estivera num centro espírita, na sua juventude, e que, por rebeldia, afastara-se das tarefas mediúnicas. O envolvimento e assédio de espíritos perturbadores, em vez de cessar, intensificaram-se, da mesma forma que os “sintomas” característicos, como alterações emocionais, calafrios e formigamentos. Por várias vezes, estivera acamada, com dores de cabeça e indisposições, cujo diagnóstico a Medicina não conseguira precisar com exatidão. Confessou ainda que, ao ler os livros trazidos pela filha, decidira apoiá-la no estudo e desenvolvimento da mediunidade.

Intimamente, agradeci ao professor Gonzaga Pinheiro. Eu, que já havia lido um dos seus livros mais famosos – O Perispírito e suas Modelações, já com várias reedições da EME —, fiquei ainda mais seu fã. As ilustrações usadas pelo professor cearense para demonstrar a interação entre corpo físico e corpo espiritual são ao mesmo tempo uma aula de Biologia e Espiritismo! Mesmo com tantas obras já publicadas sobre o mesmo tema, continuo consultando o livro do professor Gonzaga, porque identifico ali um sério esforço de pesquisa em torno da fenomenologia mediúnica.

Transcomunicação x Mediunidade

A propósito, acompanhei recentemente um encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, na capital paulista, e lamentei não ver ali os trabalhos do professor cearense. Nesse simpósio, foram citados novos pesquisadores em Transcomunicação Instrumental (TCI), alguns deles discípulos de Ian Stevenson e Hernani Guimarães Andrade, bem como o trabalho do médium Fernando Ben, de Sepetiba (RJ), que vem se notabilizando como “novo carteiro do Além”, a exemplo do que fez Chico Xavier. Em entrevista, o médium Fernando afirmou que a comunicação entre os dois planos da vida, em futuro próximo, terá na TCI um importante aliado, cabendo aos médiuns a função de fornecedores de ectoplasma.

Não obstante, um aspecto da mediunidade não mudará. Aquela face sombria, caracterizada pela influência nefasta de um espírito sobre outro, esta continuará demandando, do médium, muito esforço, oração, vigilância e exercício constante da caridade, porquanto é fruto da sintonia mental e vibratória, que aproxima vítima e algoz, devedor e credor, mantendo atraídas, como se por um ímã, as mentes viciadas e desequilibradas.

Imagino que nossa amiga, citada no início deste artigo, tenha compreendido, ao ler Mediunidade para Iniciantes, que a fuga das tarefas só agravaria seus sintomas, o que já ocorrera à mãe. E como assinala o autor, Luiz Gonzaga Pinheiro, “a Mediunidade, quando devidamente educada, transforma-se em verdadeiro portal entre os mundos material e espiritual, com repercussões sempre positivas na vida de qualquer pessoa. Mas, em determinadas circunstâncias, ela pode ser suspensa ou retirada do cenário da vida daqueles que com ela operam”.

Assim, os que triunfam na Mediunidade são dignos de admiração e apreço. Inveja, nunca.  

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