História da USE, por Cesar Perri

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A USE foi fundada em 5 de junho de 1947, no 1o Congresso Espírita do Estado de São Paulo, realizado em São Paulo de 1o a 5 de junho de 1947. Nessa época, quatro instituições espíritas se propunham a atividades federativas na Capital: Sinagoga Espírita Nova Jerusalém, União Federativa Espírita Paulista, Federação Espírita do Estado de São Paulo e Liga Espírita do Estado de São Paulo. Essas quatro instituições lançaram o manifesto “PROCLAMAÇÃO AOS ESPÍRITAS”, conclamando à união. Num exemplo de renúncia, essas quatro entidades patrocinadoras, com o apoio de associações do interior, trabalharam pela criação de um único órgão de unificação oficial e permanente, surgindo a União Social Espírita, que, depois, passou a se denominar União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo.

O 1o Congresso Espírita do Estado de São Paulo, realizado na capital paulista, com a representação de 551 instituições, incluindo dez mocidades espíritas autônomas. A proposta da criação da USE e de sua estrutura, apresentada por Edgard Armond, foi a vencedora entre 34 teses apresentadas, definindo a união de quatro entidades já existentes e que se propunham a realizar trabalho federativo. É a única federativa estadual do Brasil que surge com base em decisão de Congresso Estadual.

A USE tem por finalidades:

* unir as instituições espíritas;

* difundir o Espiritismo nos seus aspectos filosófico, cientifico e religioso; e

* realizar trabalhos, que, por sua natureza, não possam ser realizados, individualmente pelas instituições espíritas.

Para atender às finalidades para as quais foi criada, a USE facilita a troca de informações sobre experiências realizadas pelas casas espíritas, incentiva, orienta e organiza eventos para o ensino metódico da Doutrina Espírita, bem como estimula a realização de obras e serviços assistenciais.

Houve a publicação em forma de livro dos Anais do 1o Congresso Espírita do Estado de São Paulo.

Congresso de Unificação

No ano seguinte foi realizado pela USE o 1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948, em São Paulo.

Em função desse evento surgiu a primeira psicografia de Chico Xavier sobre união e unificação, que foi assinada por Emmanuel – “Em nome do Evangelho” -, e dirigida aos participantes do citado 1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, em São Paulo. Essa mensagem, com o título acima, foi psicografada no dia 14 de setembro de 1948, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e encaminhada aos organizadores do evento com a justificativa de que ele – Chico Xavier -, como convidado, não poderia comparecer.

O foco desse Congresso não era regional, mas nacional, constando da pauta a unificação nos Estados e no país, e problemas doutrinários urgentes. Esse Congresso chegou a propor a criação de uma Confederação, ou de um Conselho Superior do Espiritismo, proposta que, levada à consideração do Presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, foi por ele recusada. Espíritas de diferentes regiões do País, de tendências diversificadas no entendimento da Doutrina, sentiam o inconveniente divisionismo e a necessidade da concórdia, do respeito e da união fraterna.

Pacto Áureo

Esse era o clima predominante no seio do Movimento, apesar das opiniões individuais extremadas dos personalistas irredutíveis, nos fins do ano de 1949. Em princípios de outubro de 1949, realizava-se no Rio de Janeiro, o II Congresso da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA). A esse Congresso compareceram espíritas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, e do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

No dia 5 de outubro, após entendimentos prévios com o Presidente da FEB, Wantuil de Freitas, alguns líderes que tomaram parte no Congresso da CEPA, incluindo Carlos Jordão da Silva (SP), compareceram à sede da FEB, para uma reunião memorável com seu Presidente e Diretores. Após discussão de proposta inicial reiterando a criação de uma Confederação, ou Conselho Superior do Espiritismo, novamente rejeitada por Wantuil de Freitas, este, em nome da Diretoria da FEB, apresentou outra proposição, contendo dezoito itens, sintetizando os princípios sobre os quais poderiam assentar-se a União e a Unificação do Movimento Espírita, além de detalhamento de providências complementares para o funcionamento do Acordo. A reação de todos os presentes à memorável reunião não poderia ser mais favorável. A aceitação da proposição foi unânime.

Esse acontecimento, de alta significação para o Movimento Espírita brasileiro, pela sua transcendência, ficou conhecido como a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, também chamado “Acordo de Cavalheiros” e cognominado por Lins de Vasconcellos como “Pacto Áureo” e se constituiu no Acordo de Unificação do Movimento Espírita Brasileiro.

Na Ata da Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro – evento de quase 68 anos atrás -, cognominado “Pacto Áureo”, constam 18 itens das finalidades:

“[…] depois de longo e coordenado estudo do Movimento Espírita Nacional, a que pertencem, acordaram em aprovar os seguintes itens, ad referendum das Sociedades que representam:

1o) Cabe aos Espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo.

2o) A FEB criará um Conselho Federativo Nacional, permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da sua atual Organização Federativa.”

No 12o Item cita-se duas obras de Allan Kardec:

“12o) As Sociedades componentes do Conselho Federativo Nacional são completamente independentes. A ação do Conselho só se verificará, aliás, fraternalmente, no caso de alguma Sociedade passar a adotar programa que colida com a doutrina exposta nas obras: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, e isso por ser ele, o Conselho, o orientador do Espiritismo no Brasil.”

Pela USE – União Social Espírita de São Paulo foram signatários do Pacto Áureo: Pedro Camargo (Vinícius) e Carlos Jordão da Silva.

CFN e Caravana da Fraternidade

Nesse Acordo ficou prevista a criação do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, órgão que substituiu o antigo Conselho Federativo da FEB, integrado por representantes de centros espíritas. O CFN, instalado em 1o de janeiro de 1950, vem funcionando ininterruptamente, e nele se fazem hoje representar os movimentos espíritas de todos os Estados brasileiros, através de suas Federativas, além de três entidades não federativas, de âmbito nacional.

            O Acordo de Unificação não ficou restrito às representações dos órgãos (Federativas) que tomaram parte na Grande Conferência.

Durante o ano de 1950, desenvolveu-se o trabalho da “Caravana da Fraternidade” que teve por finalidade divulgar os objetivos da unificação e colher adesões de onze estados do Norte e do Nordeste ao “Pacto Áureo”. Organização da célebre “Caravana da Fraternidade”, formada com a finalidade de levar às regiões do Nordeste e do Norte do Brasil os termos do magnífico “Pacto”. O resultado foi a adesão das Instituições daquelas regiões ao Acordo, com a criação dos órgãos federativos nos Estados onde não os possuíam.

Os caravaneiros, de São Paulo: Ary Casadio e Carlos Jordão da Silva; Artur Lins de Vasconcelos (Paraná), Francisco Spinelli (Rio Grande do Sul) e Leopoldo Machado (Rio de Janeiro) realizaram visitas, contatos e levaram orientações sobre a divulgação do Espiritismo, estímulo às obras de assistência social e de ambientação doutrinária aos lares. Ao final, alguns “caravaneiros” visitaram Chico Xavier, em Pedro Leopoldo (MG), em 11 de dezembro de 1950, oportunidade em que receberam duas mensagens psicográficas.

Leopoldo Machado fez os registros, publicados como livro A caravana da fraternidade, esgotado logo após o evento e que obtivemos autorização da família do autor para publicação pela Editora da FEB em 2009.

Tendo por finalidade dinamizar as ações em todo o estado, a Diretoria Executiva da USE mantém vários departamentos especializados que planejam, executam e coordenam as atividades nas áreas de artes, comunicação social, educação, infância, finanças e contábil, livro, mocidade, orientação administrativa e jurídica, orientação doutrinária, relações públicas e serviço assistencial, podendo criar outras áreas, de acordo com a necessidade do momento.

A USE possui órgãos que viabilizam a unificação do Movimento espírita em todas as regiões do Estado de São Paulo.

Sua estrutura é descentralizada, contando com órgãos municipais, intermunicipais e regionais. A diretoria executiva é eleita pelo Conselho Deliberativo Estadual, composto por representantes das USEs Distritais, Intermunicipais e Municipais.

Na Capital, os centros espíritas se reúnem em torno das USEs Distritais, com o nome do bairro predominante. No interior, as USEs Intermunicipais reúnem centros espíritas de cidades circunvizinhas e as USEs Municipais reúnem centros espíritas de uma mesma cidade. Esta descentralização permitiu a divisão do estado em mais de uma centena de órgãos de unificação que facilitam e apoiam as atividades de todas as USEs Regionais, Distritais, Municipais e Intermunicipais. A padronização da utilização da sigla USE para todos os Órgãos ocorreu com o Estatuto da USE aprovado em 1992.

Com esse contexto organizacional de 148 Órgãos de Unificação, a USE sugere atividades, orienta sua execução e facilita a transferência de experiência, sem condicionamentos, em respeito aos princípios de liberdade e responsabilidade que o espiritismo preconiza. Por isso, não impõe, nem interfere nas atividades das instituições espíritas; procura integrar suas ações junto aos conselheiros e diretores das USEs, porque todos são trabalhadores de instituições unidas.

Todo programa, colaboração e apoio são colocados à disposição dos centros espíritas, como sugestões e subsídios aos seus trabalhos. A casa espírita poderá adotá-los ou não, como pode adaptá-los às suas necessidades. A instituição unida continua a manter a sua autonomia administrativa e funcional.

A USE não é um centro Espírita, mas a soma dos centros espíritas do Estado de São Paulo, perto de 1.500 centros unidos e centenas de outros de contato! A USE é o resultado da união dos centros espíritas. Há slogan sempre lembrado: “A USE somos todos nós”.

Impasses ou dificuldades advindas do fato da FEESP, entidade patrocinadora e um das fundadoras da USE em 1947, ter mantido e em alguns tempos incentivado sua ação federativa, geraram momentos críticos na relação entre USE e FEESP, notadamente em meados dos anos 1970, quando não se concretizou uma proposta de fusão USE-FEESP, em 1977.

O livro USE – 50 anos de unificação, de autoria de Eduardo Carvalho Monteiro e Natalino D’Olivo teve sua gênese quando a USE, por seus presidente e diretor, respectivamente, Atílio Campanini e Antonio Cesar Perri de Carvalho a elaboração de um livro histórico, o qual integraria as futuras comemorações do cinquentenário de fundação da instituição. Lançado durante o X Congresso Estadual de Espiritismo da USE, São Paulo (1997), o livro do cinquentenário da USE, focaliza a instituição modelar quanto à sua origem democrática (resultou da decisão de dirigentes de centros espíritas e nesse particular constitui experiência única e pioneira no Brasil) possui, entre seus méritos, o fato de reunir documentos importantes sobre sua história institucional no estado de São Paulo e no Brasil. 

Presidentes da USE

1)      Edgard Pereira Armond – 1947/1950;

2)      Francisco Carlos de Castro Neves – 1950/1952;

3)      Luiz Monteiro de Barros – 1952/1958; 1972/1974;

4)      Carlos Jordão da Silva – 1958/1972;

5)      Nestor João Masotti – 1974/1982;

6)      Antonio Schilliró – 1982/1986;

7)      Nedyr Mendes da Rocha: 1986/1990;

8)      Antonio Cesar Perri de Carvalho – 1990/1994; 1997/2000;

9)      Attílio Campanini – 1994/1997; 2000/2006;

10)  José Antonio Luiz Balieiro – 2006 a 2012;

11)  Júlia Nezu de Oliveira – 2012 – …

Ações da USE

Estamos destacando fatos de abrangência estadual ligados à USE. Seria impossível chegarmos em nível de seus órgãos regionais e locais.

Campanhas

            A USE sempre estimulou a união dos espíritas, o estudo das obras de Allan Kardec e práticas coerentes com a Codificação.

 Promove campanhas como a histórica “Comece pelo Começo”, que foi idealizada por Merhy Seba. O lançamento original dessa campanha ocorreu em São Paulo, em 1972, pela USE da Capital (então Conselho Metropolitano da USE), e, em nível estadual, em 1975, já na gestão do presidente da USE-SP Nestor João Masotti. Pela primeira vez assistimos exposição de Merhy Seba sobre esse tema na II COMJESP (Marília, abril de 1972). Em nível nacional esta Campanha foi aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, então sob nossa presidência, em reunião de novembro de 2014. A Campanha completou 45 anos e atualmente tem visibilidade em todas entidades federativas estaduais e até por alguns países no exterior.

A USE-SP promoveu a “Campanha Integração da Família”, em 1980.

Em 1992 a USE foi proponente junto ao CFN da FEB da Campanha “Viver em Família”, aprovada em 1993, e lançada nacionalmente em São Paulo em janeiro de 1994, originando o livro “Laços de família”, editado pela USE.

O primeiro grande ato público em defesa da vida e contrário ao aborto realizado no Brasil, e precedendo a criação do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, ocorreu na cidade de São Paulo no dia 24/3/2007, realizado na Praça da Sé, promovido pela representante da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, Marília de Castro. Contou com representantes do governo de São Paulo, parlamentares federais, estaduais e municipais, entidades civis e religiosas, inclusive a FEB, por nós representada.

A atuação junto a crianças e jovens

A USE sempre estimulou ações e campanhas na área da evangelização da infância e apoiou confraternizações de mocidades espíritas como as antigas COMBESPs – Concentrações de Mocidades Espíritas do Brasil Central e Estado de São Paulo, que nasceram em Barretos em 1948 e depois de efetivação em cidades da grande região, se encerrou também em Barretos em 1966; e as confraternizações regionais.

Contou com representação de jovens paulistas no 1o Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, realizado no Rio de Janeiro em 1948, por iniciativa de Leopoldo Machado.

No ano de 1965 apoiou a I Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil, efetivada em Marília.

Desde 1967 promove as COMJESPs, que completaram 50 anos de efetivação com a 10ª. Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas, realizada em Bauru, em abril deste ano.

No ano de 2015 apoiou a realização em Guarulhos da Confraternização Brasileira de Juventudes Espíritas – Seção Sul.

Promoveu vários encontros estaduais de evangelização da infância. E também encontros de educadores espíritas.

Foco nos centros espíritas

Lançou a “Carta aos Centros Espíritas” (1975), durante a presidência na USE-SP, de Nestor João Masotti. Foi uma ação que favoreceu o aparecimento da primeira versão do opúsculo Orientação ao Centro Espírita, aprovado pelo CFN da FEB em 1980.

            Fato significativo foi o trabalho com o tema central – “Dimensão Cósmica do Centro Espírita” do 8o Congresso Estadual de Espiritismo, promovido pela USE-SP no ano de 1992, na cidade de Ribeirão Preto. Seus Anais foram divulgados em seminários e estimularam o repensar dos Centros Espíritas.

Jornal, programa radiofônico e Editora

            A primeira edição do jornal Unificação ocorreu em março de1953 e a equipe do periódico tinha como diretor Júlio Abreu Filho e contava com uma equipe de redação composta por Heitor Cardoso e José Herculano Pires.

Em 1990 foi transformado no jornal Dirigente Espírita, em nossa gestão, com foco prioritário em temas sobre os centros espíritas e para os dirigentes espíritas.

Mantém e participa de programas radiofônicos na Rádio Boa Nova.

Mantém uma Editora com produção de livros em apoio a atividades desempenhadas pelos centros espíritas e para o movimento espírita; participou de Bienais Internacionais de Livros de São Paulo, com estandes próprios ou em parceria.

Manteve convênio com a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, para atuação na assistência religiosa espírita aos reeducandos das penitenciárias do Estado.

            Com base em seminário efetivado na USE, elaboramos o opúsculo Direção de órgãos de unificação (Ed.USE, 1994). Este opúsculo nos serviu de inspiração para a preparação de Orientação aos órgãos de unificação, pelo CFN da FEB, lançado em 2010.

            O foco temático em Centro Espírita e várias ações, jornal e livros produzidos pela USE-SP, nos motivaram a criar junto à secretaria geral do CFN da FEB, várias ações similares e principalmente os seminários e cursos presenciais e a distância sobre gestão de centros espíritas.

Eventos maiores

Uma das responsáveis pela 1ª. Exposição do Livro Espírita, em São Paulo, de 16 a 30/4/1955.

No Estado de São Paulo coube à USE a organização do I Centenário do Espiritismo no ano de 1957. Três meses antes divulgara importante documento intitulado “Proclamação dos Espíritas ao Povo – Mensagem do I Centenário do Espiritismo”. Assinado pela USE, foi, no entanto, redigido por Herculano Pires. Cerca de dez mil espíritas compareceram na noite de 18 de abril ao Ginásio do Pacaembu para assistir a abertura solene das comemorações. A Rádio América, em rede com a Rádio Progresso, transmitiu o evento. Vários oradores assumiram a tribuna, entre eles o erudito Canuto de Abreu, que falou sobre o movimento espírita no século XIX e Herculano Pires sobre a imprensa espírita. 

Os 150 anos do Espiritismo foi comemorado também de forma marcante, em abril de 2007, em grande evento realizado em enorme recinto, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, patrocinado pela USE, em parceria com várias Entidades paulistas e com cerca de 15 mil participantes.

O I ESPIRARTE – Encontro de Artistas Espíritas do Estado de São Paulo, com participação da USE, surgiu em 1984.

O Centro Cultural São Paulo, junto ao metrô Vergueiro, sediou a I EXPOESP – Exposição de Obras Espíritas, promovida pela USE em junho de 1988.

A USE-SP se originou de um Congresso Estadual e realiza Congressos Estaduais, a maioria realizados na Capital paulista, e, também em: Águas de São Pedro, Ribeirão Preto, Bauru, Campinas, Guarulhos, Serra Negra, Franca, Santos e agora em Atibaia; igualmente estimula e apoia eventos regionais;

Atuou em sessões solenes na Assembleia Legislativa de São Paulo em comemoração ao “dia dos espíritas”.

Apoio e proposta da USE ao CFN da FEB

Em 1997, como presidente da USE-SP elaboramos uma manifesto de apoio ao CFN da FEB, que contribuiu para se evitar o alastramento da proposta de Confederação, naquela época, e redundou num fortalecimento do CFN com elaboração de novas propostas de atuação.

A Moção proposta pela USE-SP de apoio das Instituições que integram o Conselho Federativo Nacional à Federação Espírita Brasileira, foi entregue ao seu Presidente no encerramento da Reunião Ordinária realizada em Brasília, de 7 a 9 de novembro de 1997.  Foi publicado o manifesto ÀS SOCIEDADES ESPÍRITAS DO BRASIL, em Reformador, dezembro de 1997.

Como desdobramento dessa Moção, surgiram vários estudos e em reunião de 10 a 12 de novembro de 2000, o CFN constituiu Comissão Temporária com o objetivo de analisar propostas visando ao aperfeiçoamento do trabalho de unificação com base no “Pacto Áureo” e com a finalidade de estudar aprimoramentos, gerando projetos para aprovação pelo citado órgão na sua reunião de novembro de 2001. Entre os projetos surgiram as propostas da edição de Brasil Espírita, encarte mensal do Reformador; e o projeto “Atividade de Preparação de Trabalhadores Espíritas” que gerou o curso “Capacitação Administrativa da Casa Espírita”, aprovado em reunião realizada de 8 a 10 de novembro de 2002.

Acordo de união

            No nosso último período de gestão como presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, discutimos e demos início ao um diálogo mais amplo sobre união dos espíritas e unificação do Movimento Espírita.

Nesse diálogo envolvemos instituições que não eram unidas à USE-SP. A proposta se definiu em encontro promovido pela USE-SP, no dia 18/05/2000, oportunidade em que foi assinada uma minuta de “Carta de Intenções de Acordo de União pela Difusão da Doutrina Espírita”. O texto definitivo foi assinado em setembro do mesmo ano, contando com subscrição da USE-SP e de mais de uma dezena de instituições e entidades especializadas não vinculadas à proponente

            O objetivo do “Acordo de união” foi:

“[…] constituir um grupo de trabalho, de caráter informal e sem personalidade jurídica”, para estimular o “respeito à individualidade e o trabalho das Organizações signatárias, motivando a convivência e o intercâmbio fraterno entre si” […] a ação conjunta com vistas a agilização da difusão das Obras de Allan Kardec; […] analisar a ação conjunta em campanhas que tenham o respaldo nos princípios da Doutrina Espírita”.

            Com base no citado “Acordo de união” foi realizado na capital paulista o 1o ENCOESP – Encontro Espírita do Estado de São Paulo, nos dias 19 a 21 de janeiro de 2001, promovido pela USE-SP, com apoio e participação de 26 instituições espíritas especializadas e com público de cerca de 10 mil pessoas, no Centro de Convenções do Anhembi. Na sequência, com base no citado “Acordo”, funcionaram alguns grupos de trabalho e grandes eventos espíritas foram efetivados em São Paulo, como o Bi-Centenário de nascimento de Kardec e o sesquicentenário de O Livro dos Espíritos.

            Para concluir citamos que um integrante de órgão da USE, Altivo Ferreira, foi vice-presidente da FEB e dois ex-presidentes da USE, Nestor João Masotti e Antonio Cesar Perri de Carvalho, foram presidentes da FEB.

            Em nossa ótica, desde sua origem, sua estrutura inovadora, ações e repercussões inclusive em nível nacional, nesses 70 anos a USE tem trajetória nobilitante e de grande contribuição ao movimento espírita.

            Para concluir e como sugestão propomos continuada reflexão nos textos de Allan Kardec sobre o Projeto 1868 e a Comissão Central (Obras Póstumas) e seus comentários sobre laços morais (Revista Espírita, dezembro de 1868), e, também registramos importante resposta de Chico Xavier quando se comemorava o cinquentenário de suas atividades mediúnicas, no ano de 1977, ao ser entrevistado por dirigentes da USE: Merhy Seba, Antonio Schilliró e Nestor João Masotti (presidente), em Uberaba, de onde extraímos os trechos:

            “P – Caro Chico, gostaríamos de levar sua mensagem aos nossos irmãos da USE que prestam sua colaboração, em várias áreas de trabalho que o Centro oferece.

            R – Caro amigo, o seu desejo muito me honra, mas sinceramente, a meu ver, não temos qualquer mensagem maior que o convite à divulgação e ao conhecimento da Doutrina Espírita, vivendo-a com Jesus, interpretada por Allan Kardec. Penso que, nesse sentido, deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamam amparo, socorro, esclarecimento e rumo. […] Não consigo entender o Espiritismo, sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que propõem”.

            O entendimento de Chico Xavier e de seus orientadores espirituais sobre união e unificação devem merecer nossa atenção em cotejo com observações de Allan Kardec sobre os laços morais.

            Aos 70 anos, a USE-SP tem na sua trajetória significativas marcas de profícuo passado e presente, e, sem dúvida, para o futuro prosseguirá no alvo da união fraternal!

Fontes de consulta:

Carvalho, Antonio Cesar Perri. Centro espírita. Prática espírita e cristã. São Paulo: USE. 2016.

Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE – 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997.

(*) Palestra proferida no 17o Congresso Estadual de Espiritismo, em Atibaia, no dia 24 de junho de 2017.

(**) Ex-presidente da USE-SP e da FEB.

 

 

 

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