Educar, evangelizando. Eis o desafio! (por Rubens Toledo)

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Uma mãe, no sexto mês de gravidez, pergunta a Divaldo Pereira Franco a partir de que idade deverá matricular seu filho na Evangelização. E o médium responde que a mãe já estava seis meses atrasada! Com efeito, a partir do instante em se vincula ao embrião, o espírito em vias de reencarnar passa a pulsar em sintonia com o psiquismo materno, cujas emoções e reações, alegres ou tristes, serão gravadas na sua memória, acompanhando o ser por toda a existência.

Assim, acariciar o bebê (por sobre a barriga), envolvendo-o em pensamentos de paz, ou sussurrar-lhe uma canção, estes são gestos que — Deus o sabe! — poderão transformar uma relação difícil numa jornada menos árdua e mais fecunda para ambos. Mas se o lar, que é a primeira escola da criança, fracassar na sua missão educadora, a casa espírita não poderá falhar. Deve estar pronta para prestar orientações aos pais, antes, durante e após o nascimento da criança, já que, na comparação de Santo Agostinho, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, são eles os jardineiros zelosos a quem Deus confiou tamanha responsabilidade.

Por isso mesmo, ganha espaço a cada dia a proposta de evangelização de bebês, tema que mereceu capítulo à parte no livro Educação com Sabor de Eternidade, da professora Lucia Moysés, recém-lançado pela EME.  Nesta obra, estão documentadas, com fotos e ilustrações, as atividades desenvolvidas na A. E. Francisco de Assis, no Rio de Janeiro, com bebês nas faixas de zero a 3 anos de idade (acompanhados do pai ou de um responsável).

“Evangelizar não é encher suas cabeças com conceitos e informações, mas, principalmente, falar-lhes ao coração, atuar no âmbito dos sentimentos”, escreve a educadora, ex-docente do curso de Pedagogia e programas de Mestrado e Doutorado em Educação na Universidade Federal Fluminense (UFF), com vários livros publicados no meio acadêmico e também no meio espírita. Educação com sabor de Eternidade — título inspirado numa frase da educadora potiguar Sandra Borba — tem ainda muito mais para o leitor interessado em conhecer as várias técnicas e dinâmicas de aprendizagem, tanto no trato com crianças quanto com jovens adolescentes.

A experiência acadêmica aliada ao conhecimento doutrinário confere a Lucia Moysés autoridade suficiente para transitar de um campo a outro, servindo-se de consagrados teóricos da Educação (de Vygotsky a Edgard Mourin), mas, sobretudo, da vasta literatura espírita, que tem no próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, um educador por excelência.

Mas o leitor irá encontrar nas obras de Lucia Moysés muito mais do que teorias. Seus livros estão permeados da experiência que ela adquiriu nas ruas e becos escuros de comunidades pobres, com crianças em situação de  vulnerabilidade, como aquelas envolvidas na tragédia de Vigário Geral, em 1993. Mas os dias de hoje não são diferentes, e o trabalho de evangelização continua, nas palavras de Lúcia, um “compromisso inadiável”, a requerer de todos nós, pais e educadores, muito esforço, doação e entrega.

Entrega como a do médico e pedagogo Janusz Korczak, diretor de dois orfanatos na Polônia, que viu os soldados nazistas levarem seus alunos, cerca de 200, para o campo de concentração em Treblinka, como narra a própria Lucia em Como Aprendemos? Teoria e Prática na Educação Espírita. “A Korczak foram dadas repetidas chances de escapar, mas ele se recusou a abandonar suas crianças. Vestiu-as com suas melhores roupas, dando a cada uma um saquinho com um brinquedo ou o livro favorito e as acompanhou até a morte.”

Aos evangelizadores da Nova Era não se pede testemunho como o de Korczak, mas tão só uma cota do nosso amor, porque, como escreveu Lúcia na citada obra: “É possível que, antes de retornar à cena planetária, tenhamos aceitado o compromisso de trabalhar na implantação de um clima de paz na Terra. E ao realizar tão nobre tarefa, é certo que, evangelizando, estaremos evangelizando a nós mesmos.”

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