De Kardec para Cairbar (Editorial -Revista RIE)

sa_1505473885_Cairbar Schutel se deixava fotografar junto aos túmulos do cemitério

Hippolyte Léon Denizard Rivail, universalmente conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, nasceu em Lyon, França, aos 3 de outubro de 1804. Em 1857, o educador francês – após metódico estudo e intensa investigação – lançava a primeira edição de O Livro dos Espíritos, pontapé inicial do Espiritismo.

Pouco mais de uma década depois, em 22 de setembro de 1868, reencarnava Cairbar de Souza Schutel, no Rio de Janeiro. Cairbar era um católico convicto, idealista. O pequeno vilarejo que escolheu como morada não possuía sequer uma capela e, graças ao empreendedorismo inato à sua personalidade, Schutel ajudou a construir a primeira capela local, que batizaram de Capela do Bom Jesus de Matão.

Schutel incentivava o Padre Antônio Cezarino a vir de Araraquara pelo menos uma vez por mês para celebrar missas na capelinha e, como bom católico, era adepto de promessas e ritos, que confiava e defendia com extrema devoção.

Em 1904, porém, Schutel passou a sonhar frequente e seguidamente com os pais, Sr. Anthero e D. Rita, e para ele estava claro que os encontros não eram fruto de sua lembrança, nem meras visões. Procurou respostas no catolicismo, mas não as encontrou. Precisava de respostas que o esclarecessem, que confirmassem ou não se realmente seus pais estavam vindo visitá-lo.

Ao tomar conhecimento que Quintiliano José Alves e Calixto Prado realizavam sessões espiritualistas, Cairbar procurou-os com a intenção de participar das sessões. Da dupla, ouviu uma negativa, justificada pela interrupção das atividades e da falta de interesse em prosseguir com elas.

Porém, sua insistência fez com que as atividades fossem retomadas, por meio da tiptologia, o mesmo método utilizado por Kardec, que consistia na comunicação por meio de pancadas e batimentos utilizando uma pequena mesa.

Com o passar das reuniões, as comunicações ficariam mais complexas, com muitos espíritos comunicantes pedindo para que fossem rezadas missas que apaziguassem seu sofrimento.

Cairbar começou a indagar-se sobre as razões de tanto sofrimento dessas almas e, por meio do amigo João P. Rosa e Silva, de Itápolis, foi apresentado a uma edição de O Reformador. Deslumbrado com a leitura, solicitou imediatamente as Obras Básicas espíritas, que estavam anunciadas na revista. Leu o pentateuco de Kardec em menos de um mês e definitivamente se tornara espírita, pois conseguia agora encontrar as respostas para seus questionamentos.

Esta breve história, que é apenas a origem da missão de divulgar o Espiritismo assumido por Cairbar Schutel, com informações extraídas da biografia Cairbar Schutel, o Bandeirante do Espiritismo (de Eduardo Carvalho Monteiro e Wilson Garcia), nos faz pensar na ligação, ainda que não explícita, dos missionários que são enviados à Terra para impulsionar nossa evolução.

Dois nobres espíritos, nascidos no mesmo século, mas em continentes diferentes, com objetivos alinhados e complementares, a promover o bem para a humanidade. Neste mês em que o nascimento de Cairbar Schutel completa 149 anos, recordemo-nos de sua nobre alma, honrando e dando continuidade ao seu legado.

1 Comentário
  1. Foto de perfil de Rubens Toledo Author
    Rubens Toledo 1 mês atrás

    Muito oportuna a lembrança de Cairbar Schutel, aniversariante deste 22 de setembro.

    Parabéns à Revista Internacional de Espiritismo, de Matão (SP), por estes mais de 90 anos divulgando o Espiritismo.

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