Confirmado no Congresso da USE, magistrado fala sobre Justiça no Brasil

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Em meio ao caos ético e moral que grassa nas mais caras instituições do País, jovens magistrados, como Alessandro Viana Vieira de Paula, mostram que a justiça não precisa tardar tanto…. Mas ao lado do martelo da Justiça, o jovem juiz tem lecionado, nas cortes, que o criminoso será sempre digno de comiseração.

Alessandro Viana Vieira de Moraes, juiz em Itapetininga (SP), está confirmado numa das Rodas de Conversa do 17º Congresso Estadual de Espiritismo, que se realiza em junho próximo, na cidade de Atibaia. Em entrevista à Revista Internacional de Espiritismo (RIE), dr. Alessandro discorre sobre a atual Justiça Brasileira e os seus desafios, bem como sobre a crise no sistema prisional.

A magistratura brasileira tem sido posta à prova no julgamento de casos célebres, nos quais estavam envolvidas figuras poderosas do cenário político e econômico.Em processos como esses, de grande repercussão na mídia, a justiça dos homens tenta espelhar-se na divina, para manter-se inflexível ao lado da verdade e fiel à máxima de que “todos são iguais perante a lei”.

O jovem magistrado Alessandro Viana Vieira de Paula, trabalhador do C. E. Allan Kardec, em Itapetininga (SP),  integrou painel sobre Educação do 8º Congresso Espírita Mundial, realizado em outubro passado, em Lisboa, discorrendo sobre “Amor aos Criminosos”.

Em sua região, Alessandro de Paula tem mobilizado esforços junto a colegas magistrados e empresários na execução do projeto “Dar a Outra Face”, que visa levar água quente aos banheiros das unidades prisionais. “O  preso mostrou à sociedade a face da violência. O cristão deve por sua vez mostrar~lhe a face da compaixão, do bem, a fim de que se sinta acolhido pela sociedade”, assevera.

Alessandro conhece a realidade do cárcere desde a mocidade, quando acompanhava o pai, Ivan, nas visitas às unidades prisionais para levar a mensagem do Evangelho aos detentos em singelo curso de Espiritismo. E foi dessa experiência que o jovem juiz extraiu o comovente relato de Carlos, o réu sem crime, vitima de um erro da Justiça, que soube tirar proveito daqueles meses na prisão. “Foi justamente ali, atrás das grades, que Carlos ouviu falar de Jesus, como nunca ouvira antes”, conta Alessandro.

RIE – Se a Justiça Divina é soberana, a justiça dos homens erra…  

Dr. Alessandro de Paula –  Infelizmente ocorrem os erros judiciários. Muitas vezes, o juiz é induzido ao erro, por testemunhas que falseiam a verdade. Eu conheci um caso assim. Mas se a Justiça humana erra, a Justiça Divina, superior, não falha. Eu pude narrar aqui, no Congresso Mundial, a história de um preso que, após um tempo cumprindo pena, ele foi absolvido do crime que lhe fora imputado e reconhecida a sua inocência. Mas, o período no cárcere representou para ele a oportunidade de conhecer Jesus. Aqueles que passam provas como esta, a de réu sem crime, podem ter cometido delitos em outra vida mas não foram pegos pelas leis humanas. E agora, no processo da reencarnação, têm a chance de reabilitar-se perante as Leis Divinas e crescer com essa expiação.

RIE –  Foi o caso de Carlos?

Dr. Alessandro de Paula –  Sim. Carlos dizia-se inocente e aguardava resposta para seu pedido de revisão de pena. Após alguns meses ouvindo as lições espíritas, ele ganha seu recurso de revisão criminal, e a Justiça reconheceu o erro, já que ele era de fato inocente. Ao deixar o presídio, Carlos deixou uma carta a meu pai, Ivan, com quem ouvira as lições do Evangelho. Nessa carta ele relata que aquele período no cárcere não fora em vão. “Foi oportunidade que Deus me concedeu para conhecer Jesus”. E que se estivesse solto por aqueles meses, certamente não teria mergulhado nos seus ensinos e não teria parado para meditar sobre aquelas lições.

RIE –  Temos visto, por outro lado, jovens  magistrados comprometidos com a verdade…

Dr. Alessandro de Paula – Manoel Philomeno de Miranda, na obra Transição Planetária, psicografada por Divaldo Franco, menciona que Espíritos de diferenciada  estirpe estariam reencarnando em nosso Planeta, neste período de transição, a fim de contribuir com o nosso progresso moral. Esses espíritos, alguns vindos de Alcíone, vêm com um impressionante comprometimento com o bem e a verdade. E muitos deles estão hoje envergando o manto de juízes ou de procuradores, ou investidos da missão de investigar e apurar crimes, não importando a posição social de quem os cometeu. Até pouco tempo atrás, a Justiça fechava os olhos para certos crimes, praticados por pessoas investidas de poder e autoridade. E não eram atingidas pela lei, porque os magistrados não tinham coragem de afrontá-las… 

RIE – Muitas prisões têm sido feitas, para escândalo de muitos… Seria um efeito direto?

Dr. Alessandro –  No Brasil, começamos, há alguns anos, a ver delegados federais, procuradores da Justiça, magistrados, comprometidos com a verdade, a exercer o seu poder de justiça. Processam, investigam, conduzem e aplicam penas sem nenhum temor, no caso dos magistrados, a políticos e autoridades, não importando se ostentam posses ou gozam prestígio social. Por quê? Porque a luz não pode temer as sombras. A Terra, neste momento de transição, não suporta mais o erro. Não aceita a corrupção, em qualquer escalão que ocorra…

RIE –  A Justiça brasileira já julgou vários casos de uniões homoafetivas… È outro avanço?

Dr. Alessandro – Sim… Muitos dessas questões já vinham à Justiça. A questão da homosexualidade, a união de pessoas do mesmo sexo, a alteração de nomes — hoje se discute nas escolas a adoção do “nome social” —, são questões que, já de alguns anos, desde que o Supremo Tribunal Federal reconheceu em 2011 a união homoafetiva, ou seja, a possibilidade da união de pessoas do mesmo sexo, esse assunto vem agitando as mentes, não  só dentro do Judiciário, como também fora dele. E mais uma vez, quando se analisa essas questões, à luz da visão espírita, à luz da reencarnação, passamos a entender esses transtornos na área do sexo, na área do gênero, e as escolhas que a pessoa faz. Sem dúvida alguma, a Justiça tem sido convocada. Ainda não há unanimidade nas decisões judiciais, porque nem todos os magistrados atentaram para o ângulo oferecido pela visão espírita, e podem destoar daquilo que seria uma sentença justa. Mas, lentamente, a Justiça vai caminhando, amparada nas Leis Morais, com as leis divinas, porque estamos rumando para um mundo de regeneração. Então é natural que haja um período de adaptação em torno dessas questões em torno da Justiça qeu são “novas”, entre aspas, porque em verdade sempre estiveram no caminho da humanidade.   

RIE – Uma  enquete no Senado Federal, pela Internet, sondou a opinião pública sobre legislação que autoriza aborto para fetos de até quatro semanas…  Como você avalia esse tipo de atitude?

Dr. Alessandro –  Retrógrada. É como se voltássemos aos tempos de Esparta, 2.500 anos atrás, quando se matavam crianças nascidas com alguma deformidade, porque não eram dignas de representar o soldado espartano. A vida é um bem supremo. E o primeiro direito natural do homem é o direito à vida, como está na questão 880 de O Livro dos Espíritos. O Supremo Tribunal Federal, num caso de jurisprudência, aprovou o aborto nos casos de anencefalia, e alguns entederam isso como uma tendência em favor da descriminalização do aborto, o que tem originado propostas maliciosas como estas…  E há projetos que querem ir além, justificando o aborto para casos de malformação fetal…

RIE – O Brasil corre riscos de ver a lei do aborto aprovada?  

Dr. Alessandro –  Há riscos. Mas a bancada religiosa no Congresso, felizmente, com parlamentares de vários partidos, é a favor da vida. O religioso, não só o espírita, é a favor da vida. Graças a essa bancada, esses projetos de lei não avançaram. E com o discurso espírita, da alma imortal, da importância da reencarnação para a evolução do ser, somos levados a compreender que a vida, seja num corpo perfeito ou não, será sempre uma concessão de Deus, um bem supremo, como está em nossa Constituição e como está no Evangelho de Jesus. Mas que o homem ainda tem dificuldade de compreender…

 

 

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