Chico Xavier, correio dos espíritos (por Rubens Toledo)

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Quando os fenômenos de materialização atingiam o ponto alto nas famosas sessões com Peixotinho, Carmo Mirabelli, Ana Prado e Otília Diogo, do seleto grupo de estudiosos e observadores participavam e Chico Xavier e Waldo Vieira interagindo com Espíritos materializados. É compreensível e natural o interesse desses médiuns pela fenomenologia de efeitos físicos, já que eles eram igualmente portadores daquele tipo de faculdade.

Mas como bem asseverara o venerável mentor Emmanuel, aqueles fenômenos, conquanto importantes ao estudo e investigação científica, cederiam maior espaço aos de efeito inteligente, capazes de promover, com mais rapidez, o progresso moral da humanidade. Dizia o bondoso Espírito que as materializações, embora retumbantes e extraordinárias, não produziriam impacto maior que as páginas consoladoras vindas do Mais Além.

Emmanuel estava certo. Nem as mesas girantes, que abalaram os salões parisienses no início da segunda metade do século 19 ou as levitações de Daniel Dunglas Home, tampouco as fotos do Espírito Kate King, materializado, ao lado do próprio William Crookes poderiam superar as blandícias e bem-aventuranças da imortalidade cantadas por aqueles que tínhamos como mortos.

Com efeito, Chico Xavier passaria desde então a dedicar-se mais inteiramente à psicografia, o que viria resultar em mais de 400 títulos, incluindo centenas de cartas ditadas por Espíritos a seus entes queridos na Terra.

Mas se os livros pontificam a obra de Chico Xavier, como o best-seller Nosso Lar, transformado em filme (com recorde de bilheteria para produções do gênero), as cartas psicográficas não ficaram menos célebres. Só no ano do centenário de nascimento do médium, dois filmes trataram dessas cartas: o documentário As Cartas Psicografadas por Chico Xavier, de Cristina Grumbach, e o recém-lançado As Mães de Chico Xavier, dirigido por Glauber Filho.

E por quê?

Páginas de poetas do quilate de um Castro Alves ou Antero de Quental, enfeixadas na magistral obra Parnaso de Além-túmulo, deslumbraram o mundo, mas não deixaram de provocar críticas enciumadas da Academia (que acusou o médium de pastiche) e até mesmo a cobiça de herdeiros de supostos direitos autorais.

Mas como enganar o coração de uma mãe, que lê nas entrelinhas e identifica até mesmo o perfume do filho amado? Existiria para esses corações consolo maior do que o de reconhecer vivo aquele que levou a alegria do lar, deixando angústia e desespero?

Mais do que a riqueza de elementos comprobatórios, que não dão margem a dúvidas, as cartas psicográficas, que deram a Chico o codinome de “correio dos Espíritos”, constituem talvez o aspecto mais relevante da sua obra – porque ratificam o caráter consolador da Doutrina de Kardec.

É comum ouvir-se que filhos resignam-se com a morte dos pais, sobretudo quando estes atravessam longos anos de jornada. Porém, no sentido inverso, a partida dos filhos é uma dor quase insuportável para os pais, ainda mais quando aqueles se vão ainda quando ainda se encontram nos verdes anos da existência! Talvez por isso mesmo tenham sido tão importantes as cartas que foram reunidas em livros como Jovens no Além, Voltaram Mais Cedo, Somos Seis e tantos outros.

Ninguém poderá deter a marcha do tempo e do progresso. Ainda que lentamente, os fenômenos poltergeist continuarão intrigando os céticos e confundindo os orgulhosos, até que cedam às evidências da realidade post-mortem. Mas as mensagens de Além-túmulo, dos que nos antecederam na grande viagem, permanecerão como farol na noite escura a guiar as almas para Deus.

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