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Projeto Valorizar Kardec: fluido animalizado

Autor: Alexandre da Fonseca | Publicado em: -

No número anterior, iniciamos uma reflexão sobre a importância da valorização da Doutrina Espírita (DE). Lembramos que Bezerra de Menezes (mensagem “Unificação”, psicografada por Chico Xavier em 1963) recomendou “que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces e que se nos levanta a organização.” (Grifos em negrito, meus). Comentamos que devido às nossas limitações, não apenas temos negligenciado a utilização da base kardequiana em alguns estudos no Movimento Espírita (ME), mas também temos acolhi- dos termos e conceitos que, pelo contrário, tem desvalorizado a própria DE. O uso da palavra “ectoplasma”, motivo da questão apresentada no número anterior, é um exemplo disso, quando apresentamos a seguinte questão: Qual afirmativa abaixo é, para você, a mais correta? 

 

(      ) Fluido animalizado é o ectoplasma

(......) Ectoplasma é o fluido animalizado

 

A melhor resposta à questão acima é Ectoplasma é o fluido animalizado. O leitor deve ter notado que ambas as alternativas parecem afirmar a mesma coisa, mas há uma diferença bastante sutil, mas muito importante e que determina se estamos ou não valorizando a DE. 

 

A DE é que deve ser considerada a base do conhecimento espírita, mas na prática tem acontecido o inverso! Estamos, sem perceber, utilizando termos e conceitos de outras doutrinas e teorias para explicar conceitos espíritas, abandonando o hábito exemplificado por Kardec de usar a DE para explicar termos e conceitos sejam eles antigos e novos. Isso está muito claro na resposta dos Espíritos à questão 628 de O Livro dos Espíritos:

 

“Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada (...), deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. 

 

Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada.” (Grifos em negrito, meus). 

 

A parte destacada em negrito já diz tudo: é o espiritismo que dá a chave para explicar todos os conceitos espiritualistas, e de todos os tempos! 

 

Assim, no caso em questão, é o termo espírita “fluido animalizado” que deve explicar o conceito de “ectoplasma” e não o contrário.

 

Em nossos cursos, estudos, artigos e palestras, é o termo “fluido animaliza- do” que deve ser usado como base e não “ectoplasma”. Não é proibido falar em ectoplasma! Pode e deve-se, inclusive, apresentar o conceito de “ectoplasma” aos espíritas. Mas, devemos explicar que o termo “ectoplasma”, usado por vários autores espíritas ou espiritualistas, na verdade, é aquilo que a DE definiu e chamou de “fluido animalizado". 

 

Como a DE é progressiva (ver item 55 de A Gênese), alguns podem perguntar sobre a atualidade do termo “ectoplasma”. Não foi um cientista de renome, prêmio Nobel em Medicina, quem propôs o termo “ectoplasma”? Sim, foi! Foi Charles Richet. Porém, o fato de Richet ter sido um premiado cientista, não faz com que, automaticamente, o termo criado por ele se torne aceito pela Ciência. 

 

Infelizmente, a ciência não reconhece os fenômenos psíquicos como fenômenos cuja causa reside na existência da alma. Para a ciência, os fenômenos psíquicos são de origem material apenas. O termo “ectoplasma”, para a ciência material, significa apenas a camada externa do citoplasma das células. “Fluido animalizado” é, portanto, o termo original e genuinamente espírita para descrever os fenômenos espíritas de efeitos físicos. 

 

Ao preferir usar o termo “ectoplasma”, pensa-se em estar valorizando a DE, usando um termo que soa mais científico. Porém não percebemos que estamos transmitindo às novas gerações a ideia de que nossos termos estão ultrapassados. Como “ectoplasma” não é, de fato, um termo aceito pela ciência, pessoas que a conhecem podem bem pensar que os espíritas não sabem o que estão dizendo. 

 

Alguns lembrarão que a palavra “ectoplasma” foi acolhida pela parapsicologia. Para analisarmos isso, apresentamos a segunda questão para reflexão no próximo número do jornal Dirigente Espírita. São, na verdade, duas perguntas em uma: 

 

Questão 2)

A Parapsicologia é uma Ciência? O Espiritismo é uma Ciência? Marque a alternativa abaixo que, na sua opinião, melhor responde as duas questões acima, respectivamente:

a)    Sim (      ).       Sim (.     )                                             c) Não (.     ).     Sim (.    )

b)    Sim (.    )        Não (.     )                                             d) Não (.     ).     Não (.    )

 

Bibliografia

KARDEC, A. 1995. O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição, Rio de Janeiro, RJ. 

KARDEC A. 2010. A Gênese, Editora CELD, 3a Edição, Rio de Janeiro, RJ.